Movimento pró-moradia faz protesto na cidade de Poá

Pessoas de outras cidades participaram do movimento liderado por Zé Carlos Sem Terra, que acabou revelando uma administração frágil

Cerca de 120 pessoas participaram, dia 20 pela manhã, de uma caminhada de protesto pró-moradia popular em Poá, desde o largo da matriz até o paço municipal. O movimento foi liderado pelo coordenador do Indesb e assessor de Habitação da Prefeitura de Itaquá, ex-vereador José Carlos Ferreira, o Zé Carlos Sem Terra (PSB), que sobre um caminhão de som, afirmava que o prefeito Testinha não gostava de pobre.


Segundo consta, ele tentou sem sucesso entregar o mesmo projeto no mês anterior, mas foi rechaçado sob argumentação de que se tratava de ato político para tirar proveito do projeto Minha Casa, do governo federal.


Uma publicação do Indesb (Instituto de Desenvolvimento Social e Ações Comunitárias), trouxe supostas frases ditas por Testinha de que “Pobre só enche o saco, se dá casa pra ele, ele não paga a prestação e ainda quer escola, postos, creche, cesta básica e emprego na prefeitura”. O prefeito negou que disse tais palavras.


Após o ato de protesto, a prefeitura acabou recebendo e protocolando o Projeto, que prevê a construção de moradias. Dentre eles em uma área na rua União, para construção de apartamentos de três dormitórios medindo 49,31 metros.


O presidente do Indesb também citou que a área precisa de anistia de IPTU que está em atraso com o município.
O governo municipal mostrou total falta de articulação estratégica no trato com o movimento. Sete secretários estavam junto ao prefeito para receberem as pessoas no Paço Municipal.


Houve um princípio de briga entre um motorista do prefeito e um manifestante, contido a tempo.
Testinha deixou o gabinete e se propôs até a subir no caminhão de som, que estava estacionado por certo tempo em frente ao paço Municipal, para responder às acusações. Entretanto foi desaconselhado pelo comando da Polícia Militar.


Na escadaria da entrada do gabinete, apontando o dedo ao líder do movimento, o prefeito acusou: “Você é bandido, enganando estas pessoas assim. Você merece cadeia”.
A princípio ele disse que não aceitaria Zé Carlos na Comissão que subiria até o gabinete, mas acabou cedendo ao fato de que quem escolhe os membros da comissão são os integrantes do movimento.


No gabinete, houve mais bate boca e acusações contra o presidente do Indesb, mas ele mostrou o Projeto das moradias e pediu que o prefeito o protocolasse, o que acabou acontecendo.


Secretários questionaram o fato dos moradores serem de outras cidades e houve bate-boca generalizado na antessala do gabinete.
A Secretária de Esportes, Terezinha Nascimento, ficou furiosa quando Zé Carlos insinuou que ela fosse até sua secretaria trabalhar. “Não tem trabalho lá na sua secretaria?” Depois, acabou pedindo desculpas por tratá-la daquele jeito. “Eu também sou do movimento popular e exijo respeito” bradava Terezinha repetidamente.


Testinha, por sua vez, deixou claro que iria atender só as pessoas do município de Poá, e que em 30 dias teria uma resposta para o Projeto.
O escritor Carlos de Andrade, do PT, que estava na Comissão, também aproveitou para perguntar ao prefeito sobre sua promessa de redução das tarifas e implantação do bilhete único, o que foi confirmado.


Na saída, o diretor da promoção social José Artidoro, tentou organizar uma fila com pessoas residentes em Poá para cadastramento, porém ninguém atendeu. Em seguida, Zé Carlos falou aos manifestantes que estes sabiam que o cadastro não deveria ser feito ali. “Nós sabemos como fazer este cadastro”. Explicou aos manifestantes para não considerar as palavras ofensivas ditas ali, pois as pessoas estavam nervosas e chamou a todos para uma oração do Pai Nosso, encerando o ato.


“Não vou construir prédios”
Testinha mostrou-se revoltado com a insistência de Zé Carlos. “Ele quer construir prédios de três, quatro andares e eu não vou construir. A maioria da população depois vai embora e nosso projeto é construção de casas”.


Sobre a publicação que o acusou de discriminação, o prefeito rebateu: “É mentira e eu vou processar. O pessoal me conhece, eu trabalho em função das pessoas carentes. Este homem tem que ser preso e ser colocado na cadeia”. E foi além: “Ele fez parte do governo Roberto Marques e ficou quatro anos mamando no governo e não construiu sequer uma residência em Poá”.


Durante a gravação da fala do prefeito ao jornal, duas senhoras residentes em Itaquaquecetuba aproximaram-se e perguntaram se ele iria construir casas no Marengo (bairro de Itaquaquecetuba). Uma delas, com a neta no colo, informou ao jornalista que foi orientada “pelo Zé Carlos a vir para Poá pedir a benfeitoria”. Uma nota da prefeitura de Poá também citou um morador de Itaquá e outro de Ermelino Matarazzo que teriam vindo à Poá com a promessa de que haviam prédios do CDHU prontos.


“Já enfrentei bicho mais feio”
O coordenador do Indesb, Zé Carlos Sem Terra, garante que há 2.500 famílias de Poá inscritas e que o órgão tem abrangência em oito estados brasileiros e representação em 33 municípios. A entidade tem 25 anos de existência e está autorizada como parceira do programa Minha Casa, do governo federal.
Além do projeto entregue dia 20 na prefeitura, mais dois deram entrada e visam a construção de apartamentos em prédios de 4 ou 5 andares – um no Jardim Débora e outro na Avenida Nossa Senhora de Lourdes, segundo informou.

 

O líder dos Sem Terra disse ao Notícias que já enfrentou “bicho muito mais feio que o Testinha”. Ele reafirmou o teor do jornal da entidade, e disse ter o testemunho de mais duas pessoas que estiveram no gabinete naquele dia: “O prefeito não pode se comportar como adolescente. Acho que ainda não caiu a ficha de que ele é prefeito. O que ele fala não se escreve. Mente conforme o ambiente”.

 

Também citou que um integrante do movimento foi agredido pelo motorista do prefeito e o escritor Carlos de Andrade foi agredido dentro do gabinete pelo Secretário conhecido por Léo.

 

Fonte: Noticias de Poá

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